A Saúde Mental e o Trabalho

Empregado em uma sessão de psicoterapia, deitado em um divã, discutindo problemas relacionados ao trabalho

A saúde mental no ambiente de trabalho tem se mostrado cada vez mais relevante no cenário corporativo. Porém, diante da crescente consciência sobre os efeitos do trabalho no bem-estar dos funcionários, precisamos discutir como criar ambientes saudáveis e sustentáveis para todos. Não se limita à produtividade, mas também à valorização das pessoas. A criação de um ambiente de apoio e a compreensão de que o bem-estar dos funcionários é indispensável para o sucesso de qualquer organização são fundamentais. Fique conosco no Mapa do Talento e explore mais sobre como criar um ambiente de trabalho que seja saudável para todos.

1. A Saúde Mental em Números: O Cenário de São Paulo

A saúde mental tem sido uma preocupação crescente, especialmente nas grandes metrópoles, como São Paulo. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, cerca de 12% da população necessita de atendimento em saúde mental, seja contínuo ou eventual. Ainda mais, 3% da população sofre de transtornos mentais graves e persistentes. Além disso, aproximadamente 6% da população sofre de transtornos psiquiátricos graves devido ao uso de álcool e outras drogas. Estes números demonstram a necessidade de se discutir a saúde mental em todos os aspectos da vida, inclusive no ambiente de trabalho.

2. Fatores de Risco no Ambiente de Trabalho

O trabalho em um ambiente que negligencia a saúde mental pode acarretar graves consequências. Por exemplo, a falta de foco, a ansiedade e o estresse crônico são problemas frequentes. Ainda, a pressão por resultados, metas impraticáveis, a falta de reconhecimento e a cultura de “disponibilidade constante” são fatores que contribuem para esses problemas. O chamado Burnout, por sua vez, é caracterizado por uma exaustão física e emocional, resultado de um estresse contínuo e prolongado (já tratado por nós em artigo que você pode conferir aqui). Esse tipo de esgotamento é comum em profissões que requerem grande dedicação, como saúde, educação e tecnologia. Além disso, a falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, associada a ambientes tóxicos e lideranças abusivas, causa a doença mental.

3. A Gestão Tóxica e os Seus Impactos

A gestão tóxica é um dos principais fatores que prejudicam a saúde mental dos colaboradores. Desse modo, líderes que utilizam táticas de controle baseadas no medo, ignoram os esforços dos funcionários e mantêm uma postura de constante pressão criam um ambiente adverso. O medo e a insegurança predominam, já que esse tipo de gestão reduz a motivação dos funcionários e aumenta o número de afastamentos motivados por problemas de saúde. Nosso artigo sobre gestão tóxica no LinkedIn aborda esses efeitos negativos e oferece orientações para evitá-los.

4. Uso de Entorpecentes e Adoecimento Mental

Outro ponto relevante é o uso abusivo de álcool e outras substâncias. Os dados mostram que mais de 6% da população sofre de distúrbios psiquiátricos graves devido ao uso de substâncias. Este comportamento está relacionado a ambientes de trabalho extremamente exigentes, por isso muitos funcionários utilizam álcool ou outras drogas para lidar com a pressão. A empresa cogita identificar e oferecer apoio, por exemplo, criando condições que reduzam esses fatores de risco é indispensável para um ambiente mais saudável e acolhedor.

5. Medidas para promover o bem-estar humano

Em contrapartida, um ambiente que promove o bem-estar proporciona condições para que todos possam desempenhar suas atividades de forma equilibrada e satisfatória. A princípio, medidas como programas de assistência psicológica, treinamento de liderança empática, estímulo ao descanso e respeito aos limites dos colaboradores fazem a diferença. Em segundo lugar, a criação de ambientes seguros para o diálogo e a promoção de atividades que visam ao bem-estar, como meditação ou atividades físicas, também são extremamente benéficas. Além disso, a conversa franca sobre saúde mental ajuda a quebrar o estigma e incentiva os funcionários a procurarem auxílio quando necessário. A prevenção é fundamental. Isso requer criar uma cultura organizacional que valorize a saúde mental e promova políticas voltadas ao cuidado e ao acolhimento.

6. A Responsabilidade em relação à Saúde Mental no Trabalho também é do Empregado

A saúde mental também é de responsabilidade do empregado. Assim, ter uma vida saudável, com exames médicos regulares, sem vícios e sem excessos, é indispensável para o bem-estar individual. Por conseguinte, as práticas alimentares equilibradas, os exercícios físicos regulares e a procura por atividades de lazer que proporcionem prazer são importantes aliados na manutenção da saúde mental. Além disso, procurar ajuda, seja mediante terapia ou grupos de apoio, pode ser crucial para o equilíbrio emocional.

7. Liderança Empática e Seu Papel na Saúde Mental

As lideranças são fundamentais neste contexto. O investimento em saúde mental significa investir em pessoas. Desse modo, empresas que se preocupam com o bem-estar dos seus funcionários têm vantagens como maior envolvimento, inovação e uma cultura organizacional forte e positiva. Uma liderança comprometida e comprometida com as necessidades dos funcionários, por exemplo, transforma o ambiente de trabalho. Assim, é crucial que as lideranças compreendam a relevância de seu papel na promoção da saúde mental e estejam dispostas a ouvir, apoiar e implementar mudanças que beneficiem o coletivo. Além disso, as lideranças devem estar capacitadas para identificar sinais de problemas de saúde mental entre seus liderados e agir de forma proativa, oferecendo o apoio necessário e evitando que a situação se agrave.

8. Os investimentos e os direitos em saúde mental

Inegavelmente, os investimentos em saúde mental ainda são limitados. A saúde mental é apenas 2,3% do orçamento anual do SUS, o que demonstra a falta de prioridade dada a essa área. Essa realidade, no âmbito corporativo, reflete-se em iniciativas tímidas ou inexistentes de apoio psicológico aos funcionários, relegadas às consultas psicológicas ou psiquiátricas oferecidas pelos planos de saúde corporativos. As companhias devem compreender que oferecer assistência à saúde mental não é um custo, mas um investimento. A implementação de programas de assistência, políticas de flexibilidade de horário e iniciativas de bem-estar pode reduzir significativamente os índices de absenteísmo e melhorar significativamente a qualidade do trabalho.

Outro ponto relevante é a conscientização dos trabalhadores quanto aos seus direitos em relação à saúde mental. Muitos funcionários desconhecem que têm direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável, inclusive em termos psicológicos. A legislação trabalhista brasileira estabelece a proteção à saúde física e mental dos trabalhadores. É crucial que os funcionários estejam cientes disso e as empresas cumpram suas responsabilidades. A discussão sobre saúde mental deve ser aberta e contínua. Todos os níveis da organização devem estar envolvidos com este tema.

9. O direito à desconexão e à qualidade de vida são direitos fundamentais

A cultura de “disponibilidade constante” também é uma questão relevante que deve ser repensada. A tecnologia trouxe uma série de facilidades, mas também criou uma expectativa de que os funcionários estejam sempre disponíveis, seja por e-mail, mensagens ou chamadas. Esse tipo de comportamento contribui para o cansaço e impede que os trabalhadores tenham um descanso real. As empresas que respeitam o horário de trabalho e incentivam os funcionários a desconectar-se após o expediente contribuem para um ambiente mais saudável e equilibrado. A desconexão é indispensável para os funcionários poderem se recuperar e retornar ao trabalho de forma produtiva e motivada.

10. Incentivo e Capacitação em Saúde Mental

É crucial que as empresas promovam ações contínuas de sensibilização e capacitação. Por exemplo, campanhas internas, palestras sobre saúde mental, workshops e rodas de conversa são formas de manter o tema em evidência na organização. Esses momentos de troca e aprendizado são fundamentais para que todos os funcionários, desde a base até a alta liderança, compreendam a relevância do cuidado com a saúde mental e saibam como agir para manter um ambiente saudável.

Conclusão

A saúde mental no ambiente de trabalho deve ser uma prioridade tanto para as empresas quanto para os colaboradores. Ao promover um ambiente que valoriza o bem-estar, investir em lideranças empáticas e criar uma cultura de acolhimento, todos saem beneficiados. Precisamos continuar avançando, rompendo estigmas e compreendendo que cuidar da saúde mental é um compromisso coletivo. O blog Mapa do Talento visa discutir e compartilhar boas práticas que tornem o ambiente de trabalho mais humano e saudável. Participe do nosso debate, compartilhando as suas experiências e sugestões. Em conjunto, podemos construir um futuro mais promissor.

Fonte: Portal de Saúde do Governo do Estado de São Paulo

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